Nós não deveríamos ter qualquer ligação com malfeitores e ímpios. Davi disse: “Tenho por eles ódio implacável!” (Sl 139.22). No primeiro versículo do primeiro salmo da Bíblia, o autor louva quem os evita: “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!”. Quem gasta muito tempo com falsos mestres acaba compartilhando de suas falsas doutrinas, mentiras e erros. Quem brinca com carvão fica sujo.

Mas o nosso Senhor Jesus Cristo não ordenou que nós amássemos os nossos inimigos em Mateus 5.44? Por que, então, Davi se gaba de odiar os malfeitores e de não se sentar com os ímpios? Não deveríamos agir com bondade com eles, fazendo com que se sintam culpados e envergonhados? Sim, nós devemos odiá-los – mas somente no que diz respeito aos seus falsos ensinamentos. No restante, devemos estar prontos para servi-los, a fim de que alguns se convertam. Nós precisamos amá-los como pessoas, mas odiar o que eles ensinam. Acabamos sendo forçados a escolher entre odiá-los e odiar a Deus, que ordena e deseja que nos apeguemos somente à sua Palavra. Esse ódio é uma animosidade sagrada, que flui do amor. O amor está sujeito à fé, e a fé deve se encarregar do amor.

Quando a integridade da Palavra de Deus está em jogo, o amor acaba e o ódio começa. Entretanto, se somente assuntos pessoais estiverem em jogo (como propriedade, honra ou corpos) devemos respeitar e servir. Deus nos dá esses presentes para podermos ajudar outras pessoas. Nós podemos arriscá-los para servir. Contudo, não podemos arriscar a Palavra de Deus, pois ela pertence ao Senhor.

Retirado de Somente a Fé – Um Ano com Lutero. Editora Ultimato.