“Depois de terem cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras…” (Mt 25.30)

Não sei dizer como nem porque, mas o fato é que entre a Páscoa e o Natal temos preferido o último. Entre o Calvário e o túmulo vazio, a estrebaria e a manjedoura, temos destacado essas últimas. Fazemos presépios com a sagrada família, mas não fazemos representações de Madalena e as mulheres conversando com o anjo. Na verdade, para ser mais exato, até na profanação pagã light está clara a nossa escolha: entre Papai Noel e o coelho da Páscoa, ficamos com o bom velhinho. O Natal do comércio começa em outubro. Já a venda de bacalhau e ovos de chocolate só em abril mesmo, e olhe lá. Definitivamente, a Páscoa perde para o Natal.

Isso, é claro, transparece na nossa hinologia e cancioneiro cristão. Se levarmos em consideração os hinos natalinos e os pascoais, o primeiro grupo ganha fácil. Até quem não é cristão lembra-se de “Noite de Paz”, “Cantai que o Salvador chegou”, “Num berço de palhas”, “Meu pinheirinho de Natal”… a lista é longa. Na cultura norte-americana, de origem cristã e protestante, qualquer cantor de renome, mesmo secular, obrigatoriamente precisa gravar um disco de Carols, (canções natalinas, como eles gostam de rotular). De cantores de Jazz, como Frank Sinatra e Nat King Cole a artistas pop. É um “must”; praticamente obrigatório. Mas quantos desses nomes famosas gravaram um álbum de canções de Páscoa?

Eu, que gosto de tradição (a fé viva dos mortos), mas não de tradicionalismo (a fé morta dos vivos), gosto muito de ouvir e cantar o repertório de um clássico da música cristã brasileira, o célebre musical “Vento Livre”, produzido nos anos 80 por Guilherme Kerr Neto e distribuído por Vencedores por Cristo, quando integrava a equipe pastoral da Igreja Batista do Morumbi. Um encanto, verdadeiro tesouro esse álbum! Lembro o impacto que foi ouvir, aprender e tocar o LP com parceiros músicos – congregacionais e batistas – na minha adolescência. Guilherme releu com amigos talentosos, como João Alexandre, Jorge Rehder, Jorge Camargo e alguns compositores e arranjadores: Marquito Cavalcanti, Roberto Bomilcar, até a consagrada pianista de Jazz Eliane Elias, brasileira radicada nos EUA, toca nesse trabalho de fôlego.

Dentre as canções do Evangelho de João, recontado de modo inesquecível pela poética de Guilherme Kerr, no auge do talento, engenho e inspiração, repito essa guarânia deliciosa todos os anos na nossa liturgia de Páscoa:

“Ressuscitei dos mortos
Vivo para sempre estou
Corre a dizer aos meus irmãos
Que o Cristo Ressuscitou!”

A data mais importante do calendário Cristão não pode ser confundida: chego a considerar a Páscoa mais importante que o Natal. A Encarnação acontece tendo em vista a Redenção. É como se a gente dissesse “Cristo nasceu para morrer”.

Vamos recontar e (re) cantar a velha história? Feliz , abençoada e alegre Páscoa ! O Cristo Ressuscitou!

Fonte: Ultimato

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