Essas palavras não são um exagero. A única razão pela qual elas não se aplicam a nós, que nos identificamos como ministros do evangelho, não é que Paulo tenha se esquecido ou compreendido mal a sua exatidão. Somos muito cuidadosos e preocupados quanto aos nossos próprios desejos para permitir que nos tornemos a escória ou “lixo do mundo”. A Bíblia diz em Colossenses 1:24: “…e preencho o que resta das aflições de Cristo…” não é o resultado da pureza da santificação, mas a evidência da consagração — ser “…separado para o evangelho de Deus…” (Romanos 1:1).

“Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos…” (1 Pedro 4:12). Se pensamos que as coisas que nos ocorrem são estranhas é porque somos medrosos e covardes. Na verdade, dedicamos tanta atenção aos nossos próprios interesses e desejos que nos afastamos do atoleiro, alegando: “Não vou me submeter; não vou me rebaixar ou curvar”. E, claro, você não precisa se submeter a isso, poderá sim escapar por um triz, se assim o desejar. Você pode se recusar a permitir que Deus conte com você como um daqueles “separados para o evangelho…”. Ou você pode retrucar: “Não me importo se sou tratado como ‘lixo do mundo’ desde que o evangelho seja proclamado.” Um verdadeiro servo de Jesus Cristo é alguém que espera pela experiência do martírio em prol da veracidade do evangelho de Deus. Quando um moralista se confronta com o desprezo, a imoralidade, a deslealdade ou desonestidade, sente tamanha repulsa por essas ofensas que foge em desespero e bloqueia seu coração contra o ofensor. Mas o milagre da existência do Deus redentor é o fato de que o pior e o mais vil ofensor jamais podem esgotar as profundezas do Seu amor. Paulo não disse que Deus o separou para revelar ao mundo o quão maravilhoso Ele poderia torná-lo, mas sim, para “…revelar seu Filho em mim…” (Gálatas 1:16).